O STTEPS fez-se representar na conferência organizada pela APFS – Associação Portuguesa de Facility Services, no âmbito da celebração dos seus 50 anos.
A conferência teve como mote “O Impacto dos Avanços Tecnológicos no Setor de Facility Services”.
Estiveram presentes vários representantes das grandes empresas do setor da Limpeza Industrial, tendo sido possível perceber algumas das preocupações dos principais intervenientes do setor, bem como os seus objetivos.
Esteve também presente o Secretário de Estado do Trabalho, Dr. Adriano Rafael Moreira, bem como vários especialistas das áreas tecnológica e organizativa, e ainda um responsável pela contratação.
O STTEPS agradece o convite dirigido pela APFS, que nos permitiu também apresentar a nossa posição relativamente a alguns dos temas debatidos, designadamente:
1 – Consideramos preocupante que os cadernos de encargos apresentem valores muito apertados e que, apesar disso, continue a existir uma enorme concorrência a esses mesmos cadernos de encargos.
2 – Não faz sentido que, quando se pretende adquirir um serviço, seja quem compra a definir unilateralmente o preço. Quando queremos comprar algo, sujeitamo-nos ao preço apresentado ou solicitamos orçamentos e avaliamos os valores propostos. Não é o comprador que define o preço. Não chegamos a um stand de automóveis para comprar um carro de luxo dizendo que apenas pagamos 5 euros. É, porém, isso que o Estado faz: define o preço que quer pagar e, depois, as empresas sujeitam-se a esse valor.
3 – O Estado, enquanto principal cliente do setor, olha para a Limpeza Industrial e para outros prestadores de serviços com uma enorme desvalorização, partindo do princípio de que as empresas não têm de ter lucro. Na prática, isso traduz-se em baixos salários e em constantes dificuldades para as empresas, situação que muitas vezes conduz a problemas ainda mais graves.
4 – Entendemos que esta abordagem não permite às empresas investir em tecnologia, formação e captação de trabalhadores qualificados, formados e comprometidos com o trabalho, com as empresas e com os clientes.
Para o STTEPS, o mais importante é o Capital Humano: os trabalhadores. Se se pretende ter trabalhadores comprometidos com as empresas, com os clientes e com o trabalho, não é através de baixos salários que se constrói esse caminho.
Os problemas dos baixos salários começam nos clientes, pois, enquanto não for feito um verdadeiro trabalho de dignificação e valorização do trabalho, os clientes continuarão a querer pagar pouco, e as empresas, por consequência, continuarão também a pagar pouco.
Foi interessante a abordagem do Senhor Secretário de Estado, ao desafiar as empresas a investir. A dúvida é: investir em quê e com que meios? Se o principal cliente do setor da Limpeza Industrial paga pouco e paga tarde, onde vão as empresas buscar liquidez para investir em tudo aquilo que se falou? Se existem empresas que mal conseguem pagar salários, será realista esperar que invistam em tecnologia, como a digitalização, a robótica e a inteligência artificial?
Pensamos que este não é o caminho. O caminho deve ser o da valorização do trabalho, acompanhada da evolução tecnológica, capacitando os trabalhadores com maior formação e especialização, e utilizando a tecnologia como apoio e suporte ao trabalho duro do dia a dia.
Finalizamos felicitando a APFS pelos seus 50 anos, desejando que venham muitos mais, com uma atitude cada vez mais proativa no sentido de criar valorização e respeito pela atividade. Se esse for o caminho, a APFS terá no STTEPS um parceiro aguerrido.
Justiça, Respeito e Dignidade.